Depois de uma eternidade, minha carta de Hogwarts CHEGOU!

O tão esperado e comentado jogo "Harry Potter: Hogwarts Mystery" foi disponibilizado para iOS e Android, para alegria de todas e todos nerds do mundo, na última semana, dia 25 de abril. O lançamento é através da Portkey Games, um selo voltado ao universo Harry Potter que faz parte da Warner Bros. Interactive Entertainment, e foi desenvolvido pela Jam City.  Este é o segundo jogo oficial baseado em uma franquia de JK Rowling: o primeiro, Fantastic Beasts: Cases from the Wizarding World, foi lançado no final de 2016 pela WB Games.

Divulgação/Portkey Games

A história do jogo leva você ao primeiro ano na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, anos antes dos fatos ocorridos em Harry Potter (mais precisamente em 1985). Voldemort já está á solta, Dumbledore é o diretor da escola e Snape já ensinava a disciplina de Poções. Em Hogwarts Mystery, você precisará aprender tudo sobre o mundo mágico, fazer amigos e descobrir onde está seu irmão mais velho, desaparecido após ser expulso de Hogwarts. O meio de encontrá-lo é seguir pistas em busca das Criptas Malditas, uma das coisas misteriosas que rondam a escola.

Lembre-se: É LeviÔsa, não LeviosÁ

Uma das coisas mais divertidas no jogo é o fato de ser baseado nas informações dos livros. Quem leu a série vai reconhecer poções, feitiços e encantamentos, assim como o personagem excluído que todos queríamos ter visto: o poltergeist Pirraça. Ele não faz parte da trama, mas é uma das figuras na animação. Outros personagens que encontramos durante a jornada, com os quais podemos interagir, são os professores Flitwick, Snape, McGonagall e Dumbledore, além do então guarda-caças Hagrid e outros alunos da escola, incluindo a incrível, fantástica, maravilhosa e insubstituível Ninfadora Tonks (cof cof) e Carlinhos Weasley. Estes dois, porém, só podem ser acessados nos anos posteriores.


Pirraça de vez em quando dá um susto quando sai da parede. Ou eu que sou assustada demais?

Seu avatar no jogo é muito bacanudo: você pode customizar características como a pele, rosto, cabelos, roupas e acessórios. Você também pode escolher (e posteriormente) mudar seu nome. Mais uma escolha que fica a seu cargo é a sua casa: assim como Harry Potter, o Chapéu leva totalmente em consideração suas ideias.

Sim, o nome da heroína da minha história é Cara Melo. Julguem-me.

Os gráficos são uma atração à parte: cheios de detalhes, até os personagens de background são ricos, têm expressões divertidíssimas e fascinam qualquer um (ou pelo menos a mim, não me julguem). Sempre que passo pelo corredor principal leste e as armaduras se mexem, não consigo evitar um sorriso com o esforço engraçado que uma delas faz:

A armadura parece comigo, quando me estico pra pegar o controle sem querer me levantar

Entre as partes ruins (e que fazem a gente perder a vontade, na real), está o sistema de energia do jogo, que está lá para nos pentelhar - e para conseguir uma graninha de quem estiver a fim de comprar mais energia, moedas ou gemas. Cada ponto energético leva 4 minutos para recarregar e os pontos extra (que estão espalhados pelos cenários do jogo) demoram MUITAS, MUITAS, HORAS para voltar a aparecer, forçando o jogador a se virar ou pagar pelas gemas.

Os desafios dentro de Hogwarts Mystery deixam um pouco a desejar também. Todas as interações são através de toques na tela e poucas são realmente empolgantes. Você pode duelar em alguns (poucos) pontos, mas as aulas de feitiços e poções são muito mais monótonas. Quem é das antigas vai sentir saudade dos jogos do Pottermore, infelizmente.

Ah, sim. Você quase morre. E vai ter que esperar muito tempo até conseguir se salvar


De toda forma, a experiência de imersão é divertida e vale a pena. O jogo em si nem é muito pesado e roda até no meu celular sem memória e velhinho. Quem continua curtindo o universo tem muito o que encontrar e desbloquear, e quem não conhece tanto assim pode aprender várias coisas novas. Agora deem-me licença para continuar a explorar o mundo. ESTE MOMENTO É MEU!!!!

Oops.
(ignore a bolinha da conversa ao lado, a gente consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo)

Lendo Contos #2: Restos do Carnaval - Clarice Lispector

E aí galera, como está a empolgação de vocês com o feriado? Carnaval é uma festa bonita, cheia de cores, música e pessoas alegres tocadas pelo rítmo dos trios elétricos e dos instrumentos das escolas de samba. Para não passar em branco esse acontecimento especial que já faz parte da identidade do Brasil, busquei analisar um conto que acredito ser um dos mais representativos acerca da energia e da magia do carnaval sob o olhar de uma criança. Quem adorava uma folia enquanto criança, vai se identificar tanto com a alegria das vésperas quanto com a melancolia das quartas-feiras de cinzas e se tratando de Clarice, a nostalgia será certeira.No conto, a autora narra a sede de felicidade de quando tinha 8 anos e se encantava com toda a exuberância do carnaval. Em Recife, nesta época, a festa é garantida em seu tradicional carnaval de rua. E é neste ambiente que vive essa pequena.
A visão jovial de uma festa tão grandiosa descrita por Clarice é o que há de encantador e de triste ao mesmo tempo. Tendo em vista que a mãe da menina estava acamada. E suas condições de saúde se agravam no dia em que ela, por sorte, consegue se caracterizar e tem a oportunidade de ir à essa festa. A autora cita a alegria da menina que havia conseguido seu figurino a partir dos restos da fantasia de sua amiga. Estava tão ansiosa pois era a primeira vez que poderia se mostrar e se encantar com a dinâmica do carnaval, estando inserida nela. No entanto, ao saber da situação de sua mãe, a garota se ver em dúvida e desnorteada. Enfim, ela vai e, mesmo preocupada com o drama familiar e a pressão que nela exercia, observa com sensibilidade as cores, os enfeites e fantasias que as pessoas por ali usavam.
Clarice descreve poeticamente as sensações sentidas e suas concepções juvenis sobre essa festa popular e a maneira que as pessoas se portavam. O dilema em que ela se sentia, ao se entregar a folia apesar da doença de sua mãe, não a afastou da sensibilidade e possibilidade de descrever o que sentia e o que gritava dentro de si. Este conto faz parte do livro Felicidade Clandestina de Clarice Lispector, Editora Rocco. 

Mas e vocês, como está a folia ou decidiram por ficar em casa lendo também?

Devaneios sobre The Handmaid's Tale e adaptações

No post anterior comentei sobre minha experiência lendo O Conto da Aia. E, apesar de não ter alguma noção técnica de produção, hoje enfatizo que a série me surpreendeu ainda mais que o livro. Assisti logo depois de lê-lo e minhas expectativas foram supridas e até superadas. Não tenho conhecimentos técnicos suficientes para avaliar a produção, no entanto, estou falando como uma leitora que se emocionou com a história e muito mais com a adaptação.

Certa vez li em um livro de crítica literária no qual o autor comentava sobre as novas demandas que leitores assíduos produziam. Uma delas era a necessidade de adaptação de suas obras preferidas, e que isso poderia ser atribuído à falta de imaginação e ao consumismo que nos impulsiona a buscar novas formas de consumo desenfreado. Na época essa afirmação, de forma integral, fazia sentido. Porém, apenas parte dela me toca hoje em dia.

Não podemos negar toda a relação que a cultura pop tem com o capitalismo e com o consumismo desenfreado. Mas acredito que o acesso às obras e suas diferentes formas de manifestção, também é válido e engrandecedor.

Enfim, voltando à série: a impressão que tenho é que a fotografia se mostrava em si mesma bem melancólica, ou seja, o propósito da série era demonstrar todo o sofrimento reprimido por aquelas mulheres que eram vistas como simples objetos. A narração de Offred é algo que nos rasga de angústia e aflição. Em muitos momentos sentia vontade de gritar para aliviar a tensão contida na aia. Isso porque os pensamentos da narradora nos faziam adentrar em sua cabeça e praticamente sentir o que ela sentia.

O mais bacana foram as discussões suscitadas pela obra. Penso que o acesso à filmes, livros, séries, deveriam ser mais democratizados e essas discussões teriam ainda mais diferentes interpretações. Afinal quanto mais discutirmos sobre o que lemos ou assistimos mais sentido essas obras farão em nosso cotidiano.

Mas e vocês, já assistiram? O que acharam?



O Conto da Aia - Livro


Confesso que precisei respirar e organizar as ideias sobre este livro antes de resenhá-lo. O impacto desta obra é certeiro. Em alguns momentos da leitura precisava parar, respirar, refletir por alguns minutos e então, retomá-la. Este livro entrou para um dos preferidos da vida e teve o poder de me incomodar, de fazer me ajeitar na poltrona por causa da narrativa seca e direta da autora, embora bem descritiva. Uma breve sinopse: Em um futuro distópico mulheres são dispostas em castas e para cada uma destas são atribuídas funções para a manutenção do todo, como por exemplo: as Aias que serviam basicamente para reproduzir. As figuras de poder, assim como ainda vimos, só que aqui de forma incontestável e intransigente, eram representadas por homens. As mullheres já haviam conquistado direitos que as permitiam inclusive abortar. Aliado a isso, o meio ambiente estava degradado e, dentre as consequências disto, houve uma onda de infertilidade intensa.


Estes motivos foram usados como justificativa para a ação do grupo religioso que orquestrou todo o processo de tomada de poder. O presidente dos EUA foi morto e também grande parte do congresso. Offred, uma das Aias e quem narra a história, reflete sobre como não percebemos as mudanças que estão à nossa volta. Aquele grupo não agiu de uma hora para outra, houve planejamento e suas ideias já estavam sendo disseminadas há muito tempo. Em momentos de aflição ela relatava alguns acontecimentos de sua infância e tentava acreditar que aquilo tudo que estava acontecendo, era apenas uma história.


“Gostaria de acreditar que isso é uma história que estou contando. Preciso acreditar nisso. Tenho que acreditar nisso. Aquelas que conseguem acreditar que essas histórias são apenas histórias têm chances melhores.” ( p.52)

Com o romance a autora reflete sobre a fragilidade dos direitos das mulheres e sobre as novas noções de comunidade. Uma vez que, aqui, ao considerar as novas configurações de família e sociedade, existem formas que se divergem do que esse grupo fundamentalista acredita ser certo diante do todo-poderoso.

Observamos então o regresso dos costumes e a culpabilização das mulheres pelo quadro de suposta urgência para mudança de costumes.

“Incapacidade de sentir. Os homens estavam perdendo o interesse pelo sexo. Perdendo interesse pelo casamento.” (p.250)  

O que é possível perceber, após a leitura, é que já estamos numa distopia. A diferença é que a opressão é mais sutil e por isso, muitas vezes imperceptível. Quanto à série, já assisti e trarei os comentários em outro post. Avaliei em 5 no skoob.

 E vocês, o que acharam do livro?

Lendo Contos #1: O Cheiro do Suor - Eric Novello

O conto da vez foi escrito pelo escritor brasileiro Eric Novello. É um conto fantástico e que me fez sair da zona de conforto, uma vez que não leio tanto fantasia ou subgêneros desta. Na estória conhecemos Jaques, um lobisomem que vive numa grande metrópole na qual não é muito bem visto (por motivos óbvios né). Jaques, por sua condição, também chega a ser perseguido pela polícia até pelo perigo que representa aos moradores daquela cidade, começa a fazer serviços para a própria polícia para não ser incomodado.



Jaques é aquele ser maravilhoso. Está pouco se importando com os outros, um humor do cão (mentira, do lobisomem) e vamos combinar que é bem difícil não imaginar um lobisomem desta maneira, não é mesmo? Mas penso que Jaques é uma alegoria de alguns de nós. O relevante para ele é ter os seus pequenos prazeres supridos e não ser questionado/incomodado, acrescentando a isso ele é do tipo psicopata mesmo, se precisar matar alguém, se compromete sem pensar duas vezes, desde que tenha seu sossego garantido.

Esperava um pouco mais da estória, no entanto a escrita do Eric não deixou à desejar. O enredo é característico de amantes do gênero fantasia aliado à realidade palpável. Em muitos trechos são descritos acontecimentos triviais que observamos em nosso cotidiano, o que intensifica a percepção do estilo de vida numa metrópole. Enfim, recomendo como referência de leitura rápida e acessível. Avaliei em 3 no Skoob.




ANO NOVO PROJETOS NOVOS!

Então vamos de projeto de leitura para começar o ano bem? Gostaria de receber o feedback de vocês sobre o que acham de iniciarmos um projeto para lermos contos. Podemos nomeá-los de “Lendo Contos”, bem óbvio né? Tive esta ideia pois, afinal, na correria do dia a dia quase não conseguimos parar e ler algo, mesmo que a leitura seja uma atividade prazerosa, na vida moderna precisamos de organização. E os contos, por serem rápidos e dinâmicos, podem ser a nossa salvação em dias conturbados.





Então proponho que leiamos pelo menos um conto ao mês e de preferência contos de escritores nacionais (mas não é regra), o que acham? Esta semana trarei meus comentários sobre um conto que já estou lendo. O bacana do projeto é que vocês podem indicar contos que já tenham lido e que gostariam de saber a nossa opinião. Ótima oportunidade para promover um diálogo sobre aquela leitura solitária que você, por ventura, tenha feito e não tem ninguém para conversar!

Conto com a participação de vocês, até porque tem muita obra bacana por aí só esperando um projetinho para serem lidas, né mores!

Dica de leitura: À Procura de Audrey Sophie Kinsella

Olá pessoal, tudo jóia com vocês? Pra estreiar minha contribuição com o blog, hoje trago uma indicação de leitura super leve e divertida. Para começar o ano com leveza, numa nice, e de quebra ainda refletir um pouco, li “À Procura de Audrey” no kindle (Amazon paga nós!) e adorei a história de uma adolescente tentando lidar com problemas psicológicos intensificados por algumas situações de bullying. Pode parecer estranho dizer que adorei acompanhar as vicissitudes de uma pessoa fragilizada por doenças psicológicas, no entanto, a autora soube tratar com responsabilidade e ao mesmo tempo com muita leveza algo que normalmente não é tão fácil de lidar. Sophie Kinsella é renomada no gênero Chick lit, que compreende obras nas quais são abordadas as aventuras diárias de mulheres jovens e colocadas como desastradas e/ou deslocadas. Por esse motivo percebi como ela, muitas vezes, focava nas angústias da mãe de Audrey, talvez seja minha única objeção, uma vez que precisava de algo mais relax para aliviar a tensão de outras leituras mais cascudas.




Vamos à uma breve sinopse: Audrey, em sua antiga escola, sofreu alguns episódios de bullying que desencadearam um quadro clínico não muito agradável. A partir de uma situação devastadora a garota deixa a escola por alguns meses para dar um tempo do mundo exterior e também para cuidar da saúde. Uma de suas peculiaridades é usar óculos escuros para evitar episódios de ansiedade (como não pensei nisso antes!). Audrey tem um irmão chamado Frank que é “o louco dos jogos online” característica que deixa sua mãe com os cabelos em pé. Por esse motivo enquanto tenta (a mãe) encontrar uma nova ocupação para o garoto busca uma melhor forma de interagir com os filhos adolescentes, o que não dá muito certo quando ela resolve seguir os passos sugeridos por uma revista que se aproveita de mentes ingênuas. O caçula é um poço de fofura e, sem querer, tira altas gargalhadas da galera. O pai de Audrey é tão louco quanto a mãe, formam assim uma família bem peculiar e divertida. O livro não tem um grande enredo mas recomendo para aquela tarde chata de domingo, ou até mesmo aquele chá de espera no aeroporto/fila de espera. À Procura de Audrey é um romance tranquilinho pra relaxar e dar risada, li numa sentada só e já quero ler mais da autora. Avaliei em 4 no Skoob. Mas conta aí, alguém de vocês já leu, o que acharam da sinopse? Vamos conversar!